Se for mentira eu cego! Era como terminava as histórias – ou estória para aqueles que gostam de diferenciar a inventada da deturpada, se é que me entendem – era assim mesmo, do jeito que contei, dizia seu Lucena, senhor que foi vizinho da minha família até a sua morte.
Seu Lucena era desses contadores de histórias que dava gosto estar por perto para ouvir, sempre aparecia com uma nova, se alguém duvidava ele dizia, se “fulano” fosse vivo eu ia pedir para ele provar, curiosamente todas as testemunhas oculares do ocorrido já tinham morrido, era aí que ficavam ainda mais engraçadas as lorotas contadas por esse senhor.
Tudo que seu Lucena contava, havia alguém que duvidava, não era para menos, seu Lucena transgredia todas as leis da verdade, mas sempre com grande categoria, isso porque, quando alguém tentava desmentí-lo no meio da conversa, ele remendava com uma brilhante capacidade que até parecia virar verdade verdadeira naquela hora. Eu fui testemunha de algumas delas, embora hoje, lembrar apenas de uma e, acho ser a principal das que ouvi, parecia que aquilo era o maior desatino que alguém podia imaginar, com o passar do tempo, vi que era nada mais e nada menos que uma grande